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No Pico do sismo em 1998

Guiada pela onda do revivalismo e pela habitual moda de trazer factos passados ao presente, ou não fosse esta uma constante da nossa essência, abro a gaveta dos escombros da minha memória e tento resgatar as vivências do sismo que em 1998 abalou as ilhas do Faial, Pico e São Jorge. Estava a noite calma, no céu as nuvens davam lugar aos cordeirinhos e, na minha mente desfilava uma película com questões alusivas à oportunidade que tinha em passar uns dias numa ilha, com alguns elementos da minha família. Era tudo como que um desfecho, um aproveitar das últimas horas as férias por terras açoreanas. Nessa noite, 8 de Julho, tinha um aperto no coração, uma ansiedade frustrada por não termos arranjado grupo para pernoitar no cimo da Ilha Montanha (denominação atribuída ao Pico) e ver a actividade diária do sol, bem como o poder que aquele ‘miradouro’, onde se ergue o Pico Pequeno ou Piquinho, a 2351 m de altitude, tem em prolongar o nosso olhar até ao horizonte. Era uma noite perfeita. O dia...

Retratos da minha peregrinação

Numa altura em que a Fé está mais acesa do que nunca, saltam-me à memória vários flashes da minha caminhada até Fátima. Surge tudo, de forma breve, como fotografias tipo passe. Reconheço que esta é a melhor forma para, hoje, aproveitar o que aprendi aos 18 anos. Ou não fosse este formato de retrato o mais utilizado para tudo o que é legalmente importante e, porque também se arrumam e transportam mais facilmente. Não é que a minha ida tenha sido um acto legal. Foi, talvez, uma aventura, um encontro, um tomar de consciência, o pagar de uma promessa, o concretizar de um sonho… não sei bem o que foi. A única certeza que tenho, hoje, é que foi útil para saber a minha resistência física e psíquica. No fundo, para perceber melhor a grandeza dos tais pormenores da vida. Confesso que sempre tive curiosidade em saber o que leva tanta gente a percorrer quilómetros com um único destino e vários propósitos. E como curiosa que sou também queria fazer o mesmo. Quando dei por mim estava de ténis, fato...

A deambular por Santa Comba Dão

Às voltas pela cidade santacombadense sou guiada pela história, conduzida pelas ruas estreitas de granito (as minhas preferidas) que não me dizem para onde me levam, porque fazem questão de me pôr onde querem. Resolvo começar pelo Largo do Balcão, um espaço amplo com alguns sinais de modernidade e, desço pela Rua Alexandre Herculano, sem dúvida que é a tal rua que me deixa com mais vontade de a calcorrear vezes sem conta, pois há sempre um pormenor diferente para reparar (quanto mais não seja no povo que na Taberna do Aníbal, mais conhecida por ‘Parlamento’, joga às cartas, bebe uns valentes copos para recordar alegrias e esquecer sabe-se lá o quê… um local típico que até já tem letreiro a dizer ‘Há café’). As pedras da calçada teimam em prender a minha marcha, e os saltos das senhoras, quase de propósito, em frente ao Parlamento para tentar perceber (não o por quê de os homens não deixarem de mandar um piropo ou de estarem ali com conversas ‘frutíferas’ sem acção para combater o vício...

Zé do Nada finalmente aprendeu que é Tudo

Zé do Nada é um habitante do planeta terra que diz que tem a idade suficiente para aprender com todos os Sábios Mestres que no seu caminho se cruzam. Para si o mais importante é a palavra oral, embora no mundo actual essa pouco valor tenha, nomeadamente, quando se tratam de questões jurídicas. Apenas pautado pela justiça que deveria existir, foi num lugar comum que conversámos, ao sabor do vento, movidos pela palavra oral e por aquilo que o coração, juntamente com a razão, ia trazendo. Zé do Nada confessa que toda a acção deste episódio da sua vida poderia ter sido passado na fábrica onde trabalha aquele vizinho lá do bairro, contudo esse pormenor não é de todo o mais importante, pois "infelizmente ou felizmente há muita gente a passar por esta situação todos os dias". "Sabe menina, quando precisamos de trabalho e quando sabem que até temos algum valor e ideias está sempre tudo bem", desabafa explicando que fora-lhe prometido que fosse trabalhar para a Quinta de Alg...

“malmequeres os lábios molhados” lançados na aurora da vida

Aos 16 anos de idade, Cláudia Borges, natural de Cabanas de Viriato, continua a dar passos firmes para atingir um patamar, segundo a crítica, muito alto na poesia. “malmequeres os lábios molhados” é o seu quarto livro de poesia apresentado ao público no passado domingo, 2, no salão da Filarmónica cabanense, editado pela Palimage e com nota de abertura de Mário Soares, ex-presidente da República. Na sessão de lançamento, com leitura de poesia pelo grupo poético “Sarau dos Danados”, do qual a jovem poetisa faz parte, foi visível o prazer que o mais comum dos mortais tem em poder partilhar o dia-a-dia com Cláudia Borges, o membro mais jovem da Associação Portuguesa de Escritores e da Associação Portuguesa de Poetas, dada a simplicidade e humildade com que guia o leitor através do seu mundo de menina e de poetisa, onde existe “um trabalho da palavra invulgar, um trabalho maduro e intenso à volta da metáfora, do ritmo, do vocabulário, da construção de imagens”, conforme caracteriza o poeta ...

“Memórias em voo rasante” partilhadas em Santa Comba Dão

-» “Contributos para a História política recente da África Austral” Depois do enorme sucesso obtido em Moçambique, o livro “Memórias em voo rasante”, da autoria de Jacinto Soares Veloso, foi lançado na Casa da Cultura de Santa Comba Dão, no passado sábado, 17. Com uma casa pouco composta, com cerca de duas dezenas de pessoas, este lançamento contrastou com os inúmeros leitores que fizeram com que a obra, lançada em Dezembro de 2006, em Moçambique, esgotasse 72 horas após a primeira tiragem, obrigando a uma segunda tiragem, e posteriormente a uma segunda edição em Fevereiro do corrente e a uma terceira em Julho. Recorde-se que “Memórias em voo rasante” foi lançado na passada quarta-feira, 14 em Lisboa, apresentado pelo arquitecto Nuno Teotónio Pereira e por António de Almeida Santos. “Um bom lançamento, estava muita gente, foi muito interessante”, recordou ao O Tabuense , Jacinto Veloso. Na cidade santacombadense, o livro contou com a apresentação de Fernando Veloso, primo do au...

Maria José Costa uma filha do mar que voa como as gaivotas

“…o som das ondas é como as harpas, tocadas por anjos, suave que me encanta…” Maria José Costa Dizem que os artistas são estranhos, talvez por serem seres inconformados com o mundo que os rodeia. Sensíveis, amantes insaciados procuram através da arte uma resposta, um caminho, uma razão para o mundo onde vivem, enfim… que alguém ouça o grito que lhes aperta o peito e liberta a alma. No lugar de Santo Antão, freguesia de Sinde, concelho de Tábua, vive a poetisa e pintora Maria José Costa. Com uma paixão nata pelo mar e por tudo o que lhe diz respeito, a artista voa como as gaivotas, regida pelas marés, com frases, pensamentos e vivências que jamais esquecerá. “E se alguém acreditar Que o amor não está a mudar, É um poeta Um sonhador … um grande sofredor… Que acredita no que os outros não conseguem Enxergar Que no fundo de um triste olhar, Ainda há uma f...