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No reduto de um artista

Nascido em Lisboa, na freguesia de Santa Engrácia, a 06 de Agosto de 1922, José Antunes Cosme, tem raízes na freguesia de Pomares. A mãe natural de Corgas, era dona de casa e, o pai, natural de Torrão, trabalhou nos caminhos-de-ferro. Autodidacta, meticuloso, dotado para as “habilidades” são algumas das características de José Antunes Cosme, que utiliza como arma de combate a arte para “fugir dos momentos do dia-a-dia”. Criador de inúmeras obras, das quais não tem conta, confessa-nos que não tem escola e que todos os trabalhos até hoje concebidos são fruto da “habilidade com que nasci”. Aos 84 anos de idade, refere que “quando a gente não nasce com habilidade não é a escola que dá”, porém diz-se convencido de que “qualquer pessoa faz um desenho. Até me faz confusão como é que uma pessoa que pega num lápis, não é capaz de desenhar o que vê”, questiona incrédulo defendendo que o faz “por intuição”. Apesar de gostar de ensinar os outros, garante que não tem “paciência” para tal, porque “...

António Lopes da Costa: “o homem que ensinou gerações”

“Absolutamente conformado com o seu estado e perfeitamente consciente da sua gravidade, António Lopes da Costa aceitou a morte resignadamente. Momentos antes, sentado na sua cadeira, ainda assistira ao almoço de toda a família, reunida nesta vila. Mas eram cerca de 15 horas e meia, o nosso querido amigo exalava, repentinamente o último suspiro”. in A Comarca de Arganil, de 23 de Abril de 1957 Aos 81 anos de idade, António Lopes da Costa faleceu “na sua residência, nesta vila”. Um acontecimento que ainda hoje constitui uma perda humana irreparável que, para além de ter causado “geral consternação”, foi um “golpe rude, porquanto perdemos um grande amigo e uma figura que fazia parte da estrutura moral desta casa”, sublinhava Luís Ferreira, na edição de A Comarca de Arganil, de 25 de Abril de 1957. Hoje, passados que são 50 anos do seu falecimento, curvamo-nos respeitosamente perante a sua alma, “é que a morte de tão venerando amigo” fez-nos “perder não só o director, que o soube ser com o...

Nuno Mata lança livro sobre “Alberto Martins de Carvalho – o Homem, o Autor, a Biblioteca”

No dia em que a Biblioteca Alberto Martins de Carvalho completou o seu 5.º aniversário foi lançado o livro em memória do seu patrono “Alberto Martins de Carvalho – o Homem, o Autor, a Biblioteca”, da autoria de Nuno Mata. Conforme explicou o autor, esta biografia, iniciada em Dezembro de 2005, foi elaborada “com dois propósitos nucleares: trazer ao conhecimento a sua personalidade e justificar, assim, a atribuição do seu nome a esta casa que foi sempre espaço de conhecimento e pedagogia”. Natural de Barril de Alva, Alberto Martins de Carvalho, nasceu a 30 de Dezembro de 1901, era filho da cojense Laura Tavares Sinde e de José Martins de Carvalho de Barril de Alva. Casou-se, em 1929, com Judite Candosa Sinde, de Coja. Licenciado em Direito e em Ciências Filosóficas na Universidade de Coimbra, foi um “aluno brilhante (…) na década de 20 do século passado” e foi “autor de muitos artigos – destacando-se a sua colaboração no Guia de Portugal e no Dicionário de História (dirigido por Joel Se...

Mina

Foi na aldeia da Benfeita que encontrámos António Alberto Martins, mais conhecido por Mina. Este apelido porque “a minha mãe era Guilhermina e quando era pequenito chegavam-se ao pé de mim e perguntavam-me: «Como é que se chama a tua mãe?» e eu dizia «É Mina». E ficou Mina toda a vida”, esclarece. Aos 79 anos de idade, António Alberto Martins, carteiro reformado, recorda-nos uma vida algo espinhosa e os caminhos que trilhou para entregar a correspondência, primeiro a pé, depois de bicicleta e por fim de mota para que tudo chegasse ao seu destino. Depois de ter concluído a 4.ª classe, foi trabalhar como barbeiro, durante 12 anos, profissão que nunca deixou mesmo quando foi trabalhar como carteiro, pois “a minha arte como barbeiro nessas territas continuou, porque não havia barbeiro nenhum, para isso tinham de ir a Coja ou a Arganil para cortarem o cabelo. E eu cortava-lhes com uma bagatelazita e eles ficavam todos contentes”, confessa-nos o carteiro Mina que enquanto barbeiro “trabalha...

José Castanheira Nunes: um vulto da NOSSA história

“A notícia, fria e cortante como o gume de um cutelo, de que morreu José Castanheira Nunes, essa figura bondosa, compreensiva e dinâmica que toda a região conhecia e estimava, parece ainda um pesadelo, um sonho mau que se desmente quando acordamos” in A Comarca de Arganil, de 18 de Setembro de 1956 Passado meio século do falecimento de José Castanheira Nunes ainda se sente no ar uma certa nostalgia face ao desaparecimento daquele que era “o nosso querido amigo e orientador de todas as horas”, como nos dizem os que com ele privaram de perto e como testemunham as nossas colecções que, apesar de amarelecidas pelo tempo, têm o dom de o reavivar em cada palavra, e de nos dar a conhecer, como referiu José de Oliveira e Costa, “o continuador de um grande mestre, fundador de A Comarca, Eugénio Moreira”. A. Pedro Aleixo referiu, numa das edições enlutadas pela perda do Zé Castanheira Nunes, nome pelo qual também era conhecido, “se os génios, porque são génios, são imortais, os amigos, quando v...

João Castanheira Nunes: “o gigante da resistência, da determinação”

“- Morreu o sr João! Foi esta a terrível, a dolorosa notícia que recebemos na manhã de sábado passado. Na sua frieza impiedosa, no seu laconismo impressionante, no seu intenso dramatismo, aí estava a nova receada, em que recusávamos acreditar.” in A Comarca de Arganil, de 17 de Novembro de 1981 É estranho como o tempo corre veloz, e… hoje faz, precisamente, 25 anos desde o dia em “que o gigante da resistência, da determinação, fora vencido!”. Filho de António Castanheira Nunes Júnior e de Adelaide da Conceição e Castanheira, João Castanheira Nunes nasceu a 17 de Dezembro de 1921. Casado com Maria da Graça, era pai de João Alberto, José António e avô de Gonçalo e Sérgio. O nosso camarada “sofria de grave deficiência renal que, desde 1979, o obrigava a submeter-se, dia-sim-dia-não, à hemodiálise, em Coimbra” e na passada “sexta-feira, o estado de saúde do enfermo, agravou-se de tal forma que viria a ser internado às 2 da madrugada de sábado, na Casa de Saúde da Sofia. Acompanhado de sua...

Simplesmente Fernando Valle

"Será quase uma redundância publicar dados sobre a carreira cívica, profissional e política desta figura carismática da Democracia portuguesa" In A Comarca de Arganil, de 3 de Agosto de 2000 Convicção, clareza e frontalidade eram algumas das características de Fernando Baeta Cardoso do Valle, natural da Cerdeira, concelho de Arganil, nascido a 30 de Julho de 1900. Filho do dr. Alberto da Maia e Cruz do Valle e de D. Maria Adelaide da Costa Cardoso do Valle. Foi presidente honorário do Partido Socialista e um lutador nato pelos ideais da Revolução Francesa: liberdade, fraternidade e igualdade deixando registado os seus ideias de vida através de um desejo “o facto de a determinante de toda a minha vida ter sido o lutar pela libertação do homem, no sentido de se conseguir efectivamente, um regime de direito em que seja possível, de facto, a paz, a liberdade e a justiça social”. Seg...