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A confissão de um lutador

Aos 84 anos de idade, António Borges, mais conhecido por Salinha, “confessa” algumas passagens da sua vida, ao nosso jornal, num diálogo marcado pela força de vontade e guiado pela fé. Natural de Vinhó, ficou sem pai aos três anos e meio. “Fui para a escola aos 8 anos, andei lá até aos 12. Andava eu na quarta classe e, a professora bateu-me sem eu ter culpa nenhuma, fez-me as pernas negras”, diz-nos desabafando que ficou sem vontade de estudar, mesmo sem ter perdido nenhum ano e prestes a fazer o exame da quarta classe. Magoado com o sucedido, um dia, quando encontrou José Augusto Gaspar a construir a estrada de Vinhó para a Portela contou-lhe as suas “queixas”. Aconselhado pelo construtor a continuar os estudos, respondeu que estava “zangado”. Entretanto, a oportunidade de ajudar na construção da estrada foi-lhe dada e, quando chegou a casa disse à mãe para onde ia trabalhar. “Ela ficou toda surpreendida, mas, também, coitada como a vida era ruim, ela queria que eu ganhasse algum dinh...

No reduto de um artista

Nascido em Lisboa, na freguesia de Santa Engrácia, a 06 de Agosto de 1922, José Antunes Cosme, tem raízes na freguesia de Pomares. A mãe natural de Corgas, era dona de casa e, o pai, natural de Torrão, trabalhou nos caminhos-de-ferro. Autodidacta, meticuloso, dotado para as “habilidades” são algumas das características de José Antunes Cosme, que utiliza como arma de combate a arte para “fugir dos momentos do dia-a-dia”. Criador de inúmeras obras, das quais não tem conta, confessa-nos que não tem escola e que todos os trabalhos até hoje concebidos são fruto da “habilidade com que nasci”. Aos 84 anos de idade, refere que “quando a gente não nasce com habilidade não é a escola que dá”, porém diz-se convencido de que “qualquer pessoa faz um desenho. Até me faz confusão como é que uma pessoa que pega num lápis, não é capaz de desenhar o que vê”, questiona incrédulo defendendo que o faz “por intuição”. Apesar de gostar de ensinar os outros, garante que não tem “paciência” para tal, porque “...