6.25.2009

Porque prefiro viajar de comboio?


Por incrível que pareça não há mesmo duas sem três quando se trata de falar do mau serviço da Rede Expresso. Claro que o facto de eu ter tido péssimas experiências com tal empresa não significa que toda a gente as tenha tido, ou que a dita entidade preste um mau serviço a todos os seus clientes.
Viajando até ao dia 25 de Março de 2007 (domingo). Um familiar meu adquiriu, como habitualmente, bilhete para viajar no autocarro com passagem em Santa Comba Dão às 18:40 h, com destino a Coimbra, onde efectuaria mudança de autocarro, com partida às 20:00 h e com destino a Caldas da Rainha.
O bilhete adquirido identificava ambos os autocarros e respectivo lugar: de Santa Comba a Coimbra, viatura 23, lugar 14; de Coimbra a Caldas da Rainha, viatura 5, lugar 14.
Pensava ele que, perante os dados que constavam do próprio bilhete era seguro que teria transporte nos autocarros em causa e nos lugares aí indicados. Contudo, para sua surpresa, o autocarro 23 chegou a Santa Comba cheio; o respectivo motorista apenas permitiu a entrada de um dos quatro passageiros que aí se encontravam para embarcar, afirmando que tinha apenas um lugar vago; desconhecendo-se até hoje o critério de escolha desse passageiro, a certeza é que não lhe foi permitida a entrada no autocarro, pese embora ser titular de um bilhete para o lugar 14 daquele autocarro.
Perante a situação a ideia que ficou entre os passageiros foi a de que surgiria certamente em poucos minutos um autocarro de desdobramento, tendo em vista assegurar o tráfego normal a que o concessionário está obrigado no âmbito do serviço público que presta. Estavam enganados.
A recusa de um transporte alternativo

Contactada telefonicamente a central de Viseu (com a despesa inerente) o meu familiar foi então informado que só haveria um autocarro para Coimbra cerca das 21 horas e que não havia ligação para as Caldas da Rainha.
Explicou que, sendo titular de um bilhete válido, necessitava de estar nas Caldas no dia 25 de Março; mas mesmo apesar das razões que explicou, foi-lhe recusado qualquer transporte alternativo e foi alegado que o máximo que podiam fazer (quanta generosidade!) era validar o bilhete para o dia seguinte, às 08:40h.
Foi então obrigado a viajar no dia 26 de Março, no autocarro com passagem em Santa Comba às 08:40 h, com mudança em Coimbra às 09:30 h e com chegada às Caldas cerca do meio dia; obviamente que perdeu as aulas dessa manhã, tendo sido obrigado a faltar às mesmas pelas razões que antes ficaram expostas e em seu prejuízo.
Ao adquirir o bilhete para viajar no autocarro com passagem em Santa Comba Dão, no domingo, às 18:40 h, não o fez para ter uma mera expectativa, para ficar a aguardar na paragem a chegada do autocarro e verificar então se tinha a sorte de ter aí lugar ou o azar de ter que esperar para o dia seguinte.
Ao vender o bilhete, a Rede Expresso obrigou-se a assegurar o transporte de autocarro entre Santa Comba Dão e Caldas da Rainha, com o horário e nas condições que constam do respectivo bilhete, incluindo o lugar; aliás, nem se percebe como se vai ao pormenor de explicitar no bilhete o lugar no autocarro para depois afirmar que não há lugar vago. E esta é uma obrigação básica que decorre do simples contrato de transporte.
A falta de atitude

No endereço electrónico da Rede Expressa, afirma-se a garantia de “um elevado padrão de qualidade e segurança, o que a torna preferida por milhões de passageiros”. Estou certa de que a situação descrita contraria tais padrões de qualidade.
Levando estes factos ao conhecimento das entidades responsáveis da empresa em causa nunca houve uma resposta que esclarecesse a razão de ser de tal procedimento e de que modo pensa a Rede Expressos ressarcir os passageiros dos danos que causou.
Recentemente, na estação de Sete Rios, em Lisboa, já me aconteceram alguns episódios caricatos, mas o mais lamentável foi quando fiquei quase uma hora à espera de autocarro e perante tal atraso me dirigi ao chefe da gare para saber o motivo do atraso. A resposta foi seca e fria. “Estamos a reparar o autocarro!”, perante tal resposta questionei porque motivo não avisam as pessoas através do mesmo método que anunciam a linha em que estão as viaturas (por altifalantes)? Não obtive resposta e questionei se as pessoas que têm de trocar de autocarro têm garantias de transporte. Não deram resposta. Pedi livro de reclamações e disseram onde ele supostamente se encontrava… e estava a porta fechada. Ninguém me apresentou o dito livro… estaria cheio? Será que têm livro?
Sem dúvida que viajar de comboio para além de ser mais confortável tem um serviço muito melhor. Há o cuidado de informarem as pessoas quando há atrasos, e o lugar que está no bilhete corresponde e está reservado para o passageiro. Enfim… onde está o tal marketing, a tal preocupação em conquistar o cliente?

Cristina Correia Pinto
25 de Junho de 2009

2 comentários:

Horus disse...

Sem dúvida que o serviço deixa muito a desejar, mas embora a maioria das pessoas perfira o comboio, muitas há que não têm alternativa senão ir de autocarro e sujeitarem-se aos padrões de qualidade destas companhias... é a rede que temos...

Cristina Correia Pinto disse...

Horus

O mal é mesmo esse. As pessoas acomodam-se e vão perdoando, contudo o serviço vai piorando.